CINEMA - 30/05/2011
| Divulgação |
UnB é cenário do filme Faroeste Caboclo
Cinco cenas foram gravadas no campus Darcy Ribeiro nas últimas semanas. Trama dirigida por ex-aluno da UnB traz a personagem Maria Lúcia como aluna da Faculdade de Arquitetura
A música Faroeste Caboclo, que marcou a história do rock brasileiro na voz de Renato Russo, então vocalista da banda Legião Urbana, vai virar filme sob a direção de um ex-aluno da Universidade de Brasília e com cinco cenas gravadas no campus Darcy Ribeiro, onde acontece parte da trama. As filmagens previstas para a UnB e outros pontos de Brasília terminaram na última semana. O lançamento da película está previsto para o período entre o final deste ano e início de 2012.
Para transformar a música de quase dez minutos de duração em uma hora e meia de exibição nas telonas, o diretor René Sampaio, que estudou na Faculdade de Comunicação (FAC), criou personagens e incrementou a trama. Maria Lúcia, a “menina linda” para quem João de Santo Cristo “promete o coração”, por exemplo, virou filha de senador e estudante da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), além de ganhar uma turma de amigos. A personagem será representada pela atriz Ísis Valverde, que atuou em cinco novelas da Rede Globo, a última delas, Ti ti ti, no ano passado. João de Santo Cristo será interpretado por Fabrício Boliveira, que atuou na novela Sinhá Moça e viveu o personagem Saci no Sítio do Pica Pau Amarelo.
Uma das cenas protagonizadas por Ísis Valverde acontece no Instituto Central de Ciências, o Minhocão, onde a personagem Maria Lúcia é mostrada apresentando sua monografia de final de curso. René Sampaio revela que a decisão de descrever Maria Lúcia como estudante da FAU não foi aleatória. “Era o caminho mais interessante para a personagem que a gente criou, pelo background que ela tem e pelo que ela representa dentro do filme”, explica. “O centro de conhecimento e de encontro dessa geração toda era a UnB, que era muito importante para a formação brasiliense”, acrescenta. Outra característica que o diretor considerou foi a arquitetura da universidade. “O traçado da UnB conversa muito bem com a profissão dela. Foi um ‘casamento’”, afirma.
O Minhocão é palco ainda de outras quatro cenas. Uma delas é de uma festa de rock no Udefinho. Outra, no estacionamento, mostra o personagem João de Santo Cristo aprendendo a dirigir. “Engraçado foi que no dia em que filmamos essa cena havia também um pai ensinando o filho no mesmo lugar”, comenta o diretor. Há ainda cenas de uma discussão entre o casal de protagonistas e de um pôr do sol presenciado pelos dois na lage do Instituto Central de Ciências. “Não estamos filmando a música. Estamos fazendo uma adaptação fiel aos eventos e ao sentimento que a musica provoca”, explica o diretor.
| Divulgação |
| Foto inédita de Maria Lúcia e João de Santo Cristo no estacionamento do ICC |
René entrou na UnB em 1992 e não viveu na universidade a época em que o filme se passa: de 1979 a 1981. Para isso, a produção do filme fez pesquisas de época e usou como uma das principais fontes o Jornal Campus, produzido por estudantes da Faculdade de Comunicação. “A gente queria saber como eram os estudantes dessa época. O que eles vestiam, escutavam. A Faculdade de Comunicação abriu as portas para a gente fazer essa pesquisa”, conta o diretor.
| Reprodução/UnB Agência |
| Tulio no papel de Dudu, ao lado do traficante Jeremias (Felipe Abib) |
UNB NO ELENCO – As cenas filmadas em Brasília envolvem cerca de 30 atores, mais da metade da própria cidade. Entre eles estão alunos e ex-alunos da UnB, como Tulio Starling, que tem um papel de destaque no longa. Ele é estudante do 4º semestre de Artes Cênicas e encarna Dudu. O personagem é o braço-direito do playboy Jeremias, estrelado por Felipe Abib, inimigo do protagonista João de Santo Cristo.
Tulio fez os testes iniciais para o papel de João de Santo Cristo. Chegou até mesmo a participar de uma oficina no Rio de Janeiro com vários candidatos, onde, segundo conta, ajudou a “desmistificar algumas coisas sobre Brasília”. “Levei Brasília pra lá”, diz. O papel de Dudu veio algum tempo depois.
Tulio, que já tinha participado de cinco curtas-metragens, revela que para construir o personagem usou um pouco da “inconsequência” que lhe deu o prêmio de melhor ator do Festival de Brasília de 2008 pelo papel de um dos jovens que toca fogo no índio Galdino, em A Noite por Testemunho. “A ideia era criar um personagem que quer exercer o poder perante os outros de forma exarcebada”, explica. “Os elementos que eu tinha eram: sou rico, filho de gente importante e não tem muita gente aqui. A cidade realmente pode ser minha”.
O curso da UnB, segundo o ator, foi importante para o processo de preparação e atuação. “O olhar científico e a preparação técnica foram os diferenciais”, afirma. “No meio do cinema é uma coisa rara um estudante que está no mercado e na Academia”. Tulio também ajudou os atores de fora a construir os sotaques, as gírias e os trejeitos da capital.
| Mariana Costa/UnB Agência |
| Chiquinho com o livro que Ísis Valverde comprou. A atriz tentou disfarçar quem era |
MULHER BONITA PAGA – Os atores não passarem despercebidos pelo Minhocão. Ísis Valverde, que esteve na Livraria do Chico, na Ala Norte do Minhocão, foi reconhecida imediatamente pelo livreiro. “Perguntei se era a atriz Ísis Valverde, mas ela disse que não”, conta Francisco Joaquim de Carvalho, o Chiquinho, que vende milhares de títulos no lugar há mais de 30 anos.
Chiquinho não acreditou. Mas tratou-a como a todos os frequentadores da banca onde vende milhares de títulos há mais de 30 anos. Sugeriu a ela o livro Cultura: um conceito antropológico, do professor do Departamento de Antropologia da UnB, Roque de Barros Laraia. Ela gostou da indicação e, quando foi pagar no cartão de crédito, confirmou a suspeita de Chiquinho. Estava lá o nome que ela tentava esconder. Quando questionado se deu o livro de presente a ela, o vendedor foi categórico. “Eu não. A boniteza dela não paga as contas”, diverte-se.
René Sampaio, diretor do longa Faroeste Caboclo, fala à UnB Agência sobre o filme. UnB Agência - A música é muito grande, não tem refrão e todo mundo sabe cantar. Como você explica essa relação, digamos até, emocional, com essa letra? René Sampaio - Estou atento a esse sentimento. Não sei o que gera, mas sei que me comovi também. Não dá pra explicar a arte. É uma coisa mítica, que não tem como explicar. UnB Agência - Como é voltar para a UnB na condição de diretor? René Sampaio - Desde que eu era estudante, a UnB era cenário dos filmes que eu fazia. Fiquei muito feliz. Filmar na UnB não foi uma forçação de barra, foi uma necessidade dramática. Fiquei muito feliz de estar de volta e viver um pouquinho da UnB de novo. UnB Agência - Como você interpretou a música para dar algumas respostas que a letra não dá?René Sampaio - Breve nos cinemas perto de você (risos). O processo foi bastante instigante. Passamos muito tempo procurando soluções, procurando as personagens. Foram três anos de elaboração do roteiro. UnB Agência - Como surgiu a ideia de fazer um filme a partir de Faroeste Caboclo? René Sampaio - Lembro que eu ouvi a música várias vezes e sempre pensei que ia fazer um filme. Sempre preenchi minha mente com as imagens e com a vontade de filmar. Mas oficialmente, isso foi divulgado há uns cinco anos. Todo filme, do dia em que o diretor tem a ideia até fazer o filme, leva mais ou menos cinco anos. Para quem não está acostumado parece longo. UnB Agência - E a relação entre a história de João de Santo Cristo e a saga de Jesus Cristo? René Sampaio - O filme é baseado na música. Não tem referências explícitas a isso. Mas tem a coisa da traição, da epopeia. Na mísica tem uma coisa meio nas entrelinhas. Isso está nas entrelinhas do filme. Tem relação como tem com a música. Mas isso é uma raciocínio que as pessoas vão elaborar após ver o filme pronto. Um filme você faz três vezes. A primeira quando faz o roteiro. A segunda quando filma e a terceira quando faz a montagem. Agora que eu vou descobrir o que disso vai pra tela do cinema. É cedo, apesar de eu reconhecer os elementos dessa trajetória |
Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: UnB Agência. Fotos: nome do fotógrafo/UnB Agência.
Nenhum comentário:
Postar um comentário