UnB Agência
COMUNIDADE - 26/05/2011
CEPE sugere alterações nas normas de convivência universitária
Realtório sobre o tema será colocado em discussão no Conselho Universitário nas próximas semanas
Henrique Bolgue - Da Secretaria de Comunicação da UnB
A professora Andréa Maranhão, da Biologia, está finalizando seu relatório sobre normas de convivência universitária, que será analisado pelo Conselho Universitário (Consuni) nas próximas semanas. Nesta quinta-feira, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) analisou a minuta e fez novas sugestões. “É um assunto que envolve emoções e trouxe discussões complexas”, afirma o vice-reitor João Batista de Sousa, que presidiu a reunião.
O texto proíbe o comércio e o consumo de bebidas, o fumo em locais fechados, estabelece normas para confraternizações nos campi e fixa limite de horário para festas. Também defende que cada departamento, instituto ou faculdade tenha um espaço reservado para os seus respectivos centros acadêmicos. O documento passou por consulta pública antes de ser encaminhado à relatoria.
Alguns professores do CEPE pediram que o texto dê prioridade sempre às atividades acadêmicas. Débora Ruy, da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, pediu a especificação do termo “horário letivo”, já que, muitas vezes os docentes realizam atividades fora do horário de aula. “Das 6h à meia-noite há professores trabalhando por aqui”, diz.
SOM – Outros conselheiros se mostraram céticos quanto aos limites do “bom senso” exigido para estabelecer níveis de som aceitáveis. Por isso sugeriram trocar os as palavras “limite da razoabilidade sonora”, que trata da utilização de aparelhos de som do parágrafo V do artigo 7º, para aspectos técnicos, como medidas em decibéis. “Bom senso é bom, mas é difícil normatizá-lo”, disse o vice-reitor.
A estudante de Medicina Camila Damasceno comemorou a proibição do cigarro nos espaços fechados da universidade e o impedimento do trote violento, degradande e desumano. “São questões óbvias e que já fazem parte de nossa cultura atual”, disse. Mas achou impeditiva a norma que pede comunicação prévia de três dias úteis para realizar eventos no Campus. “Muitas vezes os CAs realizam eventos em cima da hora, como saraus e reuniões”.
Grande parte da discussão girou em torno do consumo de bebida alcoólica dentro do campus. Alguns professores preferem incluir no texto a proibição total da bebida. Pelo atual texto, apenas a comercialização é proibida. O professor Ricardo Jacobi, da UnB Gama, lembrou de um episódio recente em que alunos beberam. Ele se preocupou com a responsabilidade sobre os acidentes. Entretanto o aluno Kaio Santos gostaria que a bebida alcoólica fosse permitida e que a proibição dependesse de um pedido prévio.
Para Andréa Maranhão, o problema reside em como implantar as normas. “Pessoalmente acredito que a minuta não terá poder de mudar certas práticas”. Segundo ela, grande parte das penalidades e proibições serão baseadas no Plano de Responsabilidade Ética e o Plano de Respeito à Diversidade, que ainda não foi elaborado. “Temos também que pensar em prevenir e não só em combater essas práticas”, afirmou a decana de Pesquisa e Pós-Graduação, Denise Bomtempo.
A reavaliação das regras de convivência nos Campi é uma conseqüência dos trotes humilhantes registrados no ano passado e do barulho causado por festas promovidas pelos estudantes em horário de aula. A ideia é eliminar preconceitos, agressões e respeitar a diversidade, a igualdade e a liberdade.
Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: UnB Agência. Fotos: nome do fotógrafo/UnB Agência.
Nenhum comentário:
Postar um comentário