UnB Agência
FUTURO - 24/05/2011
| Alexandra Martins/UnB Agência |
Inteligência artificial vai ultrapassar cérebro humano, diz cientista
José Luís Cordeiro é um dos principais defensores da ideia de singularidade, que prevê um novo estágio da evolução para os próximos anos
Francisco Brasileiro - Da Secretaria de Comunicação da UnB
Em algum momento entre 2029 e 2045, o computador será mais inteligente que o cérebro humano. É isso que preconiza a singularidade, conceito defendido por grupo de cientistas liderados pelo físico estadunidense Ray Kurzweil. “Um computador vai ter mais transistores que o cérebro humano tem neurônios”, afirmou o venezuelano José Luis Cordeiro, um dos principais pesquisadores do grupo, em palestra no Núcleo de Estudos do Futuro da UnB. Engenheiro, professor e autor de diversos livros, como O Desafio Latinoamericano e O Grande Tabu, é um dos principais divulgadores da singularidade no mundo.
Ele recordou a velocidade em que a tecnologia da informação evoluiu nas últimas décadas. “Há 30 anos não conhecíamos os computadores pessoais, há 20 anos os celulares foram inventados, há 10 surgiu o Google”, destacou. “Começamos na década de 1970 com o disquete de 8 polegadas, que armazenava apenas 1 kilobite de informação, hoje temos pen drives que armazenam gigabites, que equivalem a mais de 1 milhão de kilobites”.
A equiparação da inteligência artificial com a inteligência humana inspirou a criação da Universidade da Singularidade, no Vale do Silício da Califórnia (EUA). O grupo de Ray Kurzweil defende outras teorias polêmicas. “Já temos muitos cientistas estudando a velhice como uma doença curável”, afirma José Cordeiro. Para o grupo, o estudo de células humanas que não envelhecem pode sinalizar formas do ser humano superar a mortalidade. “Dois tipos de células humanas tem essa propriedade: as cancerígenas e as reprodutivas”, explica. “O estudo delas pode nos levar a descobrir como interromper o processo de envelhecimento”.
Na verdade, para os propagadores da ideia da singularidade, os avanços da ciência vão se unir para criar uma nova humanidade, mais evoluída, onde todos os nossos conceitos terão que ser repensados. “No futuro poderemos fazer um backup cerebral, transferir toda a nossa consciência para um computador”, afirma.
CONTROVÉRSIA – José Cordeiro admite que existam controvérsias com relação ao mau uso dessas novas tecnologias. “Isso sempre aconteceu. O fogo, por exemplo, pode ser usado tanto para aquecer quanto para queimar”. No caso das transformações previstas pelo grupo, José defende que ainda haverá a liberdade de escolha. “Depois da singularidade, as pessoas poderão decidir se vão ou não morrer”.
Para fazer as previsões que apontam para o futuro defendido pelos cientistas foram usados modelos matemáticos como a Lei de Moore, que a determina que a cada dois anos a capacidade de processamento dos computadores duplica. “Até agora a lei de Moore acertou todas as previsões”, afirma José Luis Cordeiro.
O professor Marcos Formiga, coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro da UnB, destaca que a singularidade é um tema recorrente nas pesquisas do núcleo. “Os livros do professor José são adotados na bibliografia dos nossos cursos”, afirma. “A singularidade é uma teoria muito profunda e é bastante usada nos estudos do futuro”.
Para Marcos Formiga, a ideia do ser humano driblar a morte ainda é um sonho distante. “No mínimo, no que diz respeito ao prolongamento da vida humana, eles estão certos. É isso é muito relevante para construir cenários para o futuro”, explica o professor. “Além disso, a singularidade é em essência uma teoria sobre o futuro bem fundamentada, por isso ela é estudada no núcleo”.
O professor Jorge Fernandes, do Departamento da Ciência da Computação (CIC), não acredita na promessa da singularidade a respeito da inteligência artificial. “Não haverá um sistema que supere a inteligência humana porque, no fim das contas, o ser humano estará no comando”, explica. “Acredito que no lugar de uma inteligência artificial isolada, o que já estamos presenciando é uma inteligência coletiva”, defende. “Basta ver as redes de computadores como a internet”.
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