UnB Agência
MINORIAS - 02/06/2011
| Mariana Costa/UnB Agência |
UnB fará levantamento para melhorar acessibilidade nos campi
Ponto de partida do estudo com conclusão prevista para o segundo semestre foi o envio de questionários para avaliar as limitações de acessibilidade em cada unidade acadêmica
Hugo Costa - Da Secretaria de Comunicação da UnB
Os obstáculos e as falhas nas estruturas que dificultam a vida de estudantes com necessidades especiais na Universidade de Brasília começaram a ser listados no mês passado. O Programa de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais (PPNE) enviou questionários a 65 unidades acadêmicas para avaliar as limitações de acessibilidade dos institutos, faculdades e departamentos. O levantamento dará origem a uma pesquisa que apontará as intervenções necessárias para garantir uma educação mais inclusiva nos quatro campi.
“Pensamos que com esse estudo conseguiremos dar início à solução de muitos desses problemas”, avalia o coordenador do programa, José Roberto Vieira. Cadeirante, ele vive no cotidiano as dificuldades de se locomover pela UnB. Entre as barreiras enfrentadas, destaca falta de rampas em locais como o Instituto Central de Ciências (ICC), elevadores quebrados e má qualidade das calçadas. “Temos, principalmente nos prédios mais antigos, uma imensa limitação de acesso”, afirma. A quantidade insuficiente de pistas tácteis também foi apontada como fator limitante para estudantes com deficiência visual.
| Mariana Costa/UnB Agência |
| A falta de rampas em locais como o ICC é uma das dificuldades para deficientes |
A avaliação do PPNE não está restrita às instalações físicas. O questionário também abrange a qualidade do atendimento aos estudantes com deficiências e os níveis de acesso à comunicação e à tecnologia. “Temos percebido que em certas unidades há pouco conhecimento e falta preparo para lidar com essas pessoas com demandas específicas”, diz José Roberto. Segundo o coordenador, a universidade tem 68 alunos com necessidades especiais. Entre eles, 38 são cegos, surdos ou têm dificuldades motoras. Os demais apresentam dislexia ou outros problemas relacionados ao déficit de atenção.
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| Flagrante de desrespeito à lei: carro estacionado em rampa de acesso |
Desrespeito – Os obstáculos enfrentados pelos portadores de necessidades especiais não se resumem a falhas nos serviços e estruturas da universidade. O descumprimento de leis e a falta de educação também são barreiras para a acessibilidade. A psicóloga escolar do PPNE lamenta que muitas das vagas reservadas aos estudantes com necessidades especiais nos estacionamentos da universidade sejam utilizadas por quem não tem direito. “É irritante o que muitas pessoas fazem. Os espaços reservados e os acessos muitas vezes são bloqueados e causam um enorme prejuízo para quem de fato precisa”, diz.
A conclusão da pesquisa do Programa de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais, que é vinculado à Vice-Reitoria, está prevista para o segundo semestre. As informações consolidadas serão encaminhadas ao Decanato de Ensino de Graduação.
Para viabilizar os estudos, foram oferecidas quatro bolsas financiadas pelo Programa de Apoio a Planos de Reestruturação das Universidades Federais (Reuni) para estimular a participação dos alunos. Géssyca Sousa Santiago, do 4º semestre de Serviço Social, é uma das estudantes envolvidas na pesquisa. “Essa é uma área que me interessa porque já tenho certo conhecimento”, afirma. Mesmo a par das demandas, ela relata ter ficado surpresa com a falta de estrutura da instituição para atender esse público de forma adequada.
Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: UnB Agência. Fotos: nome do fotógrafo/UnB Agência.
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